PARE OLHE ESCUTE

ESCOSTEGUY Vida e obra

domingo, 6 de septiembre de 2009

MANÍACO

MANÍACO Maníaco. Tinha um arsenal de fotografia. An- dava um pouco e - tlac. - Revelava - fixava - copiava. Se deslumbrava. Depois passou para o filme. Descobria ângulos. Surpreendia o efêmero. Em- punhava a máquina em todos os cantos. - Para quê? - Para rodar. Colou um poema na parede do labora- tório:
a nuvem u o s s a Por aqui p Na penumbra salvou-se o tédio. Ninguém entendia. Mas o poema lhe concedia trocas. Era a sua Sonata. Certa vez rodou o filme n° 4. Rosto alegre. Olhos brilhan- tes. Background de pessegueiros pesados. Fevereiro. Um fevereiro farto. O número 20 cresceu de dentro para fora. Do obscuro para o dia. Descobriu a luz transpondo o filtro de estalactite. Suspirou fundo. Na paisagem da vila perdida, que pensaria o mascate que passou montado num burro? Rodara muitos filmes. - Para quê? - Para rodar. O documentário dos desconhecidos desman- telando um edifício. Tempo de raiva. Crianças brincando de roda. Tempo do tempo ingênuo. Maníaco. Catalogava seus flashes com ternura. O momento da flor. A escada da solidão. Três arados contra o vento. Maníaco trabalhava de noite. Uma noite foi invadida por um sujeito. - Vou curá-lo. - Como? - Destruindo seus filmes. Então os olhos do homem se tornaram duros como pedra. Violentos como a cena da catarata. Decididos como um tiro. - Por quê? - Para r-o-d-a-r. É que o maníaco não sabia se recom- por apenas com idéias. Precisava de imagens. Tudo isso que era ele. Ridículo. Generoso. Sensível. Cir- cunspecto. Prescindiria de tudo, o maníaco. Menos de sua biografia inalterável. O que sobrava de si mesmo.

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