PARE OLHE ESCUTE

ESCOSTEGUY Vida e obra

miércoles, 22 de julio de 2009

OPINIÃO 65

Resultante da relação entre os artistas cariocas e a Nova Figuração da Escola de Paris, Ceres Franco e Jean Boghici idealizam a exposição Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. São ao todo 30 artistas que trazem nas suas telas e trabalhos os traços da Nova Figuração e instigam uma arte voltada para a realidade. Rubens Gerchman, em matéria publicada no jornal O Globo, em 1985, afirma:
Opinião 65 foi importantíssimo sob o aspecto político. Foi um primeiro momento de demonstrar uma resistência ao estado opressor que estávamos vivendo. Foi um gesto de alerta e de consciência que uniu os artistas plásticos. Por isso, Opinião 65 foi extremamente oportuna e serviu de ponte para a cultura de resistência que se instalou no Parque Lage anos mais tarde. Opinião 65 foi como uma pequena fresta aberta pelos artistas que queriam opinar sobre a arte e a política. [1] (Cf. ALPGE 03c0376-1985) Opinião 65 foi a primeira resposta consistente, no plano da arte figurativa, seja ao Informalismo contra o qual toda vanguarda se insurge, seja ao Concretismo/Neoconcretismo em relação ao qual busca-se uma composição (popcreto: Cordeiro) ou um desdobramento (Parangolé: Oiticica). Opinião 65 repercute profundamente não apenas na obra de cada um de seus participantes, como no próprio curso da arte brasileira. O Parangolé, assim como os Penetráveis, que trazem uma preocupação com o nacional, eram uma manifestação que tinha por base “capas”, fazendo com que o corpo do espectador-participante passasse a inserir-se na estrutura. A “vivência” da obra, que se dava ao nível subjetivo, agora incorpora o sujeito, uma vez que a relação entre obra e espectador se torna orgânica.
No catálogo do ciclo de Exposições sobre Arte no Rio de Janeiro: Opinião 65, de 1985[2], Jean Boghici acredita que “nem sempre é o artista o melhor intérprete de sua obra”, podendo o seu depoimento velar o que a obra quer desvelar, ou inversamente, “a obra re-vela, aquilo que o artista , em sua fala, quer des-velar”, sendo a obra, em alguns casos, obscura ao seu próprio criador. Opinião 65, em face a um ambiente extremamente acanhado com relação ao alcance do público, atingiu amplamente seu objetivo. Foi um manifesto de revolta de toda uma parte da produção artística, não apenas em relação à questão política mais imediata, mas principalmente pela penetração dessas linguagens no ambiente institucional do museu. Pedro Geraldo Escosteguy participa da Opinião 65, com as obras Estória (Cf. ALPGE 11f0042-1965) e O Circo (Cf. ALPGE 11f0034-1965), declarando para Claudir Chaves, no Diário Carioca, em 05 de setembro de 1965:
Minha participação em “Opinião 65” está aquém dos méritos que essa mostra internacional concentra, ao indicar, seguramente, novos caminhos da expressão brasileira. Minhas construções de madeira se assentam numa semântica social onde revelo a perplexidade geral ante a corrida belicista. Em sua execução, mobilizo uma semiotécnica acessível aos meus próprios conhecimentos e possibilidades, auxiliada com o uso da palavra ou da frase, em busca de associações rápidas. Em suma, ao lado de tantas manifestações válidas da nova figuração e da pop-art, estou satisfeito com os primeiros resultados das minhas construções, mais próximas, provavelmente, do novo realismo. [3] Ceres Franco, na apresentação de Opinião 65, afirma ser esta uma exposição de ruptura em que o artista exerce um novo papel na sociedade, rejeitando uma “tradição plástica caduca” e voltando-se para a natureza urbana imediata e seu culto diário de mitos, o que resulta numa pintura denunciadora, crítica, social, moral, independente, polêmica e inventiva. Ao se referir ao trabalho de Pedro Geraldo Escosteguy, O circo, Ceres Franco afirma: Pedro Escosteguy constrói escrupulosamente o circo, cujo maior espetáculo ninguém terá tempo de ver – a explosão da bomba atômica. Seu relevo pintado de preto com dizeres irônicos tem o peso de uma profecia trágica e ameaçadora.[4] [1] “Opinião 65”: um bom momento para rever a polêmica. O Globo. Rio de Janeiro, 26 ago. 1985. p.9. [2] MORAIS, Frederico et al. Opinião 65: Ciclo de Exposições sobre arte no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Galeria de arte BANERJ, 1985. p. 15. [3] MORAIS, Frederico et al. Opinião 65: Ciclo de Exposições sobre arte no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Galeria de arte BANERJ, 1985. p. 28. [4] Idem. p. 22-23.

1 comentarios:

Anonymous Anónimo ha dicho...

isso eh muitoo errado,idiota ;)

22 de marzo de 2010, 13:12  

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